top of page

Ansiedade: quando o corpo fala o que a mente tenta calar. Entenda os sinais, causas e como buscar ajuda pode trannsformar sua vida.

19 de mai.
5 min de leitura

Atualizado: 19 de mai.


Ansiedade: quando o corpo fala o que a mente tenta calar


A ansiedade faz parte da experiência humana. Em muitos momentos, ela surge como uma reação natural diante de desafios, mudanças ou situações de risco. O problema começa quando essa preocupação se torna constante, intensa e difícil de controlar, afetando a qualidade de vida, os relacionamentos, o trabalho e até mesmo a forma como a pessoa se percebe.

Nos últimos anos, os transtornos de ansiedade cresceram de forma significativa. Segundo dados amplamente divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil está entre os países com maior prevalência de ansiedade no mundo, com cerca de 18 milhões de brasileiros convivendo com sintomas relacionados ao problema.


Mas, afinal, como a ansiedade se desenvolve?E por que, mesmo quando a pessoa percebe que está sofrendo, parece tão difícil sair desse ciclo?



Como a ansiedade se desenvolve

A ansiedade geralmente começa de maneira silenciosa. Muitas vezes, ela surge a partir de experiências difíceis, cobranças constantes, medo de errar, inseguranças, excesso de responsabilidade ou situações de sofrimento emocional que não puderam ser elaboradas adequadamente.


A pessoa passa a viver em estado de alerta. Aos poucos, a mente começa a interpretar situações comuns como ameaças:

  • medo de decepcionar;

  • medo de perder o controle;

  • preocupação excessiva com o futuro;

  • necessidade constante de aprovação;

  • sensação de que algo ruim pode acontecer.


Na Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), entende-se que a ansiedade está relacionada à forma como interpretamos as situações da vida. Muitas vezes, pensamentos automáticos negativos fazem a pessoa enxergar perigo, fracasso ou rejeição mesmo quando não há uma ameaça real.

Já a Terapia do Esquema amplia essa compreensão ao olhar para padrões emocionais mais profundos, construídos ao longo da história de vida. Pessoas que cresceram em ambientes com críticas excessivas, instabilidade emocional, abandono, exigências elevadas ou falta de validação emocional podem desenvolver esquemas ligados à insegurança, inadequação ou medo constante.

Com o tempo, esses padrões passam a influenciar a maneira como a pessoa sente, pensa e se relaciona consigo mesma e com os outros.



Como a ansiedade se perpetua

Um dos aspectos mais difíceis da ansiedade é que ela costuma se alimentar dela mesma.

Quanto mais a pessoa teme sentir ansiedade, mais vigilante ela fica. E quanto mais vigilante, mais sinais de ameaça ela percebe ao redor.

Muitas vezes surgem comportamentos como:

  • evitar situações;

  • adiar decisões;

  • buscar garantias o tempo todo;

  • necessidade de controle;

  • excesso de pensamentos;

  • dificuldade em descansar;

  • autocobrança intensa.


Embora esses comportamentos tragam um alívio momentâneo, eles acabam reforçando o medo a longo prazo.

A pessoa começa a viver presa em ciclos de preocupação, antecipação e esgotamento emocional.

Além disso, a ansiedade frequentemente vem acompanhada de pensamentos como:

  • “eu preciso dar conta de tudo”;

  • “não posso falhar”;

  • “algo ruim vai acontecer”;

  • “as pessoas vão me julgar”;

  • “eu nunca sou suficiente”.

Esses padrões acabam mantendo o sofrimento ativo no dia a dia.



O sofrimento causado pela ansiedade

Quem convive com ansiedade sabe que ela vai muito além da preocupação.

Muitas vezes existe:

  • cansaço constante;

  • dificuldade de relaxar;

  • sensação de estar sempre “ligado”;

  • irritabilidade;

  • dificuldade de concentração;

  • insônia;

  • medo excessivo;

  • tensão emocional frequente.


Em alguns casos, a pessoa começa a se afastar de situações importantes, perde a confiança em si mesma e sente que sua vida passa a girar em torno do medo, da insegurança ou da necessidade de controle.

Os prejuízos podem atingir:

  • relacionamentos;

  • trabalho;

  • estudos;

  • autoestima;

  • vida social;

  • saúde emocional.


Com o tempo, muitas pessoas passam a acreditar que são “fracas”, “incapazes” ou que nunca conseguirão melhorar. Mas a ansiedade não define quem a pessoa é. Ela é um sofrimento emocional que pode ser compreendido e tratado.



Pequenas atitudes que podem ajudar a reduzir os sintomas da ansiedade

Embora a ansiedade precise ser compreendida de forma mais profunda na psicoterapia, algumas mudanças na rotina podem ajudar a diminuir a intensidade dos sintomas e trazer mais equilíbrio emocional no dia a dia.


Exercícios físicos

A prática regular de atividade física ajuda a reduzir a tensão acumulada no corpo e contribui para o bem-estar emocional. Caminhadas, musculação, dança, bicicleta ou qualquer atividade prazerosa podem auxiliar na diminuição do estresse e da sensação constante de alerta.


Sono de qualidade

O sono tem um papel importante na saúde emocional. Dormir pouco ou mal pode aumentar a irritabilidade, a preocupação excessiva e o cansaço mental. Criar uma rotina de sono, diminuir o uso do celular antes de dormir e procurar horários mais regulares pode ajudar o organismo a desacelerar.


Boa alimentação

A forma como cuidamos do corpo também influencia diretamente o funcionamento emocional. Uma alimentação equilibrada, hidratação adequada e redução de excessos — especialmente cafeína em excesso — podem ajudar no controle da ansiedade e na sensação de bem-estar.


Momentos de lazer

A ansiedade costuma fazer a vida girar apenas em torno de obrigações, preocupações e cobranças. Reservar momentos de descanso, lazer e contato com pessoas importantes ajuda a mente a sair do estado constante de tensão.

Ler, ouvir música, assistir algo agradável, caminhar ao ar livre ou realizar atividades prazerosas não é perda de tempo — é uma forma de cuidado emocional.


Procure desacelerar o corpo e os sentidos

Quando a ansiedade estiver muito intensa, tente procurar um lugar tranquilo por alguns minutos.

Você pode:

  • colocar uma música suave;

  • fechar os olhos por alguns instantes;

  • respirar lentamente;

  • perceber o contato dos seus pés com o chão;

  • sentir o corpo apoiado na cadeira;

  • prestar atenção aos sons ao redor;

  • observar os cheiros do ambiente;

  • colocar uma bala ou chiclete na boca e perceber lentamente o gosto e a textura.

Também pode ajudar lembrar de momentos bons, lugares tranquilos ou pessoas importantes para você.

Esses exercícios ajudam a mente a sair, mesmo que por alguns instantes, do excesso de pensamentos e voltar para o momento presente.


O tratamento psicoterapêutico

A psicoterapia é um espaço importante para compreender a ansiedade de forma mais profunda e construir novas maneiras de lidar com ela.

Na TCC, o trabalho envolve identificar pensamentos automáticos, padrões de comportamento e interpretações que alimentam o sofrimento emocional. A pessoa aprende, gradualmente, a desenvolver formas mais saudáveis de responder às situações da vida.

Na Terapia do Esquema, o processo também busca compreender necessidades emocionais não atendidas e padrões construídos ao longo da história de vida que continuam influenciando o presente.

Mais do que apenas reduzir sintomas, o objetivo da psicoterapia é ajudar a pessoa a:

  • compreender suas emoções;

  • desenvolver segurança emocional;

  • fortalecer a autoestima;

  • diminuir padrões de autocobrança;

  • construir relações mais saudáveis;

  • recuperar qualidade de vida.

O tratamento não significa “parar de sentir ansiedade”, mas aprender a lidar com ela de forma menos dolorosa e mais consciente.


Procurar ajuda é um passo importante

Muitas pessoas convivem com ansiedade por anos sem procurar ajuda, acreditando que precisam resolver tudo sozinhas ou que seu sofrimento “não é importante o suficiente”.

Mas cuidar da saúde emocional não é sinal de fraqueza. É uma forma de cuidado consigo mesmo.

Se a ansiedade tem causado sofrimento, prejudicado sua rotina ou dificultado sua qualidade de vida, procurar acompanhamento psicológico pode ser um passo importante para compreender o que está acontecendo e encontrar novas formas de viver com mais equilíbrio e segurança emocional.

A psicoterapia pode ajudar no entendimento dos padrões emocionais, no fortalecimento da autoestima e na construção de uma vida com mais equilíbrio, segurança emocional e qualidade de vida.

Comentários


@ Psicólogo Marcelo Pinheiro Martins CRP 18/7203

Contato: (65) 99965-8875

Rua Domingos Germano de Souza, (05-A), n° 2376-W
Bairro Parque Tangará – CEP 78.304-106  - Tangará da Serra – MT

bottom of page
Dúvidas?