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Frases que eu escuto no consultório

  • 1 de mar.
  • 3 min de leitura

“Eu me cobro o tempo todo.”


Essa frase aparece com mais frequência do que parece.

Na clínica, a autocobrança excessiva costuma estar ligada ao medo de falhar, de decepcionar ou de não ser suficiente.


Você se identificou?

Imagine que você usa óculos com lentes azuis; tudo o que você olhar parecerá azul.



A "insuficiência" funciona como uma lente que a TCC chama de Crença Nuclear.


Essa crença geralmente é formada na infância ou através de experiências marcantes. Se você gravou a ideia de que "só tenho valor se for perfeito" ou "nunca sou bom o bastante para agradar", seu cérebro passará a filtrar apenas as falhas e a ignorar os seus sucessos.



Você não é insuficiente; você apenas está olhando para si através de uma lente que amplifica o erro e apaga o acerto.

Essa necessidade de "fazer tudo pelos outros" é, na verdade, um mecanismo de defesa para silenciar a crença de desamor — aquela ideia profunda, construída ao longo da vida, de que não somos dignos de afeto por quem somos, mas sim pelo que entregamos.



Para tentar "desconfirmar" essa dor, passamos a agir de forma ultraprestativa, buscando validação social constante.



Cada "obrigado" ou sinal de aprovação funciona como um alívio temporário para o medo da rejeição. Isso mantém nosso cérebro em um estado de radar hipersensível, onde qualquer sinal de desinteresse do outro é interpretado como uma ameaça real à nossa segurança emocional.


O resultado final é um ciclo de exaustão: a pessoa se desdobra em personagens para ser aceita em diferentes ambientes, mas acaba desconectada de si mesma.


O esforço para não ser rejeitado pelo mundo acaba gerando a maior de todas as rejeições: a autonegligência.

O Peso de Não Querer Falhar: O Medo de Decepcionar


A frase “Eu tenho medo de decepcionar” frequentemente esconde uma estratégia de enfrentamento (copy) disfuncional. Por trás dela, opera uma mente sob a regra do “tudo ou nada”: ou sou impecável e aceito, ou sou um fracasso total e indigno de afeto.


1. A Raiz do Medo


Esse comportamento nasce de crenças profundas de desamor (“se eu não agradar, não serei amado”) e de desvalor (“não sou bom o suficiente por quem eu sou, apenas pelo que entrego”). Para evitar a dor dessas crenças, a pessoa foca toda a sua energia no ambiente, tentando controlar a percepção do outro para garantir segurança emocional.


2. A Armadilha da Inação


Esse medo não se limita ao outro; ele se volta contra você. Muitas vezes, para não correr o risco de “decepcionar a si mesmo” ou falhar diante de um padrão inalcançável, você evita novos desafios e deixa de realizar atividades importantes. A paralisia vira uma forma de proteção contra a frustração.


3. A Realidade das Expectativas


O erro central aqui é acreditar que é possível controlar o que o outro sente. Na realidade, cada pessoa enxerga o mundo através de suas próprias lentes, crenças e expectativas. Mesmo que você faça o máximo, o outro filtrará sua ação pela história dele — algo que está totalmente fora do seu controle.


4. Do Ambiente para os Valores


A saída não é "tentar agradar mais", mas mudar o foco:

Em vez de buscar a aceitação do ambiente, busque a coerência com seus valores pessoais.

Em vez de evitar a decepção alheia, foque na sua ética e virtude.


O que define uma "boa pessoa" não é o aplauso dos outros, mas o quanto você age de acordo com seus próprios princípios e com a integridade do que considera correto. Quando você se contenta com a sua própria conduta, o peso da expectativa externa perde a força.


Cuidar da sua própria ética é mais libertador do que tentar gerenciar o humor do mundo.






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