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Nem sempre explicar resolve

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Quem nunca saiu de uma conversa pensando:

"Mas não foi isso que eu quis dizer."


Ou passou horas explicando suas intenções e, ainda assim, sentiu que a outra pessoa continuou enxergando algo completamente diferente?


Essa é uma experiência mais comum do que parece.


Existe uma crença bastante difundida de que, se uma pessoa conseguir explicar suficientemente bem suas intenções, será compreendida. Muitas pessoas passam anos tentando esclarecer mal-entendidos, justificar decisões, demonstrar boa vontade e provar que não tiveram a intenção de magoar ninguém.


Mas a experiência humana mostra que as relações raramente funcionam dessa forma.

Nem todo conflito surge por falta de explicação.


Nem toda mágoa desaparece quando as intenções são esclarecidas.

Nem toda pessoa está procurando compreender. Algumas estão tentando confirmar aquilo que já acreditam.


E é justamente nesse ponto que muitas pessoas se sentem exaustas.


Passam a carregar uma responsabilidade que não lhes pertence: a responsabilidade de controlar como serão interpretadas.


Muitas pessoas não aprenderam a explicar demais porque gostam de falar.

Aprenderam porque, em algum momento da vida, sentiram que precisavam se defender, justificar escolhas, evitar críticas ou provar que não eram aquilo que os outros diziam. O hábito de explicar excessivamente nem sempre nasce da comunicação. Às vezes nasce da dor.


A Terapia Cognitivo-Comportamental, desenvolvida por Aaron Beck, demonstra que as pessoas não reagem apenas aos fatos, mas principalmente à forma como interpretam esses fatos. Duas pessoas podem vivenciar a mesma situação e chegar a conclusões completamente diferentes.


Isso ajuda a compreender por que, muitas vezes, mesmo uma comunicação clara não impede conflitos, críticas ou decepções.


As habilidades sociais, amplamente estudadas por Almir e Zilda Del Prette, mostram que assertividade não consiste em convencer o outro. Assertividade é a capacidade de expressar pensamentos, sentimentos e decisões de maneira clara, respeitosa e firme.


Em determinadas situações, a resposta mais saudável é simplesmente um limite.

Nem sempre existe uma explicação capaz de satisfazer todas as expectativas.

Nem sempre existe uma justificativa capaz de eliminar todas as dúvidas.

Nem sempre existe uma resposta que evitará a frustração de alguém.


E isso faz parte da vida.


A teoria do apego, proposta por John Bowlby, sugere que todos os seres humanos possuem necessidades profundas de aceitação, pertencimento e reconhecimento. Talvez por isso seja tão difícil lidar com críticas, rejeições ou interpretações equivocadas.

Contudo, maturidade emocional não significa ausência dessas dores.


Significa aprender a agir de acordo com os próprios valores mesmo quando não é possível controlar a reação das outras pessoas.

Ser empático não significa concordar com tudo.

Ser compreensivo não significa assumir responsabilidades que pertencem aos outros.

Ser assertivo não significa evitar que alguém se decepcione.


Significa sustentar uma posição de forma respeitosa, mesmo quando ela não agrada.

Talvez uma das tarefas mais difíceis da vida adulta seja compreender que é possível agir com honestidade, respeito e boa intenção e, ainda assim, ser mal interpretado.


Isso não significa que a dor das críticas desaparece.


Não significa que a frustração de ser mal compreendido deixa de existir.

Não significa que deixaremos de desejar reconhecimento, pertencimento ou validação.


Significa apenas que, aos poucos, a necessidade de convencer os outros perde espaço para algo mais importante: a capacidade de permanecer fiel aos próprios valores.


Quando essa compreensão amadurece, uma mudança importante acontece.

A energia que antes era investida em justificar, convencer e provar passa a ser direcionada para algo mais produtivo: viver de forma coerente com aquilo que se acredita.


E talvez seja justamente aí que comece uma relação mais tranquila consigo mesmo.

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@ Psicólogo Marcelo Pinheiro Martins CRP 18/7203

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